terça-feira, 27 de setembro de 2011

Oficina de Máscara Cênica

PARECIDO, PORÉM DIFERENTE...

por Rhafael de Oliveira, Cia. do Outro Eu

De certo modo, essa foi nossa experiência com nosso amigo e parceiro artístico Deco Morais, da Trupe Trapos dell’Arrua.

Foto: Rhafael de Oliveira


Passamos um longo tempo trabalhando, apenas os três (integrantes da Cia. do Outro Eu), em nossos exercícios, cenas e ações que temos realizado desde que nos tornamos um “trio de teatro” e iniciamos a pesquisa do espetáculo “A Mosca...”.

Muitas vezes foi complicado ou chato deixar alguém de nós três de fora para conduzir os experimentos.

Então, durante o nosso mês e pouquinho de Oficina de Máscara Cênica, pudemos passar por experiências que até já vivenciamos separados anteriormente, porém, não em grupo, como fizemos agora. Um “suprassumo”, um “apanhadão”, um resumo e mistura de experiências individuais, que neste processo puderam ser experimentadas e compartilhadas por este coletivo e, é claro, por nosso parceiro Deco, um Outro Eu também.

Iniciamos com intenso treinamento físico e psicológico. Desde a percepção de cada músculo e do esforço de cada um de nós, no contexto grupo, para fazer jus ao exercício cênico que estaria por vir.
Foto: Deco Morais

Tudo se iniciou (e permaneceu até o “fim” da oficina) com o sentir e o testar a força das pernas, por vezes trêmulas, para entrar em contato com a base- terra, já que esta é que dá toda a segurança, o chão, o piso, a sustentação, o equilíbrio, não só ao artista, mas de todo ser humano. No nosso caso, enquanto artistas criadores de outros personagens, de certo modo humanos e de certo modo “fantasiosos”, essa força precisa de ser ainda maior.

A máscara neutra e sua expressão.

Hora de total falta de sentimentos, hora de espanto, muito remetida a imagem da criança recém-nascida que vai descobrindo cada pequena coisa, como se fosse a maior surpresa de sua vida. Surpresa após surpresa e que, de fato... De fato... Esse deve ser o olhar do artista.


Foto: Deco Morais

Cabe-nos fazer cada cena, cada verso e cada ação como se fosse a primeira vez. E jamais, em hipótese alguma, perder esse olhar de surpresa diante de cada situação... E nem estou me referindo apenas àquelas já estruturadas em nossa dramaturgia, falo do cachorro que hora ou outra atravessa a cena como se estivesse em casa; falo do bêbado tentando bater no palhaço porque não foi com a cara dele (caso real); falo dos milhões e milhões de “acasos” a que todo artista e, principalmente todo artista de rua, está sujeito.

A máscara expressiva, o momento em que de fato juntamos todos os cacos e frutos de nosso treinamento e colocamos tudo nas nossas máscaras.

Experimentar cada máscara e brincar com a fisicalidade que cada expressão sugere. Brincar com o arquétipo, o esteriótipo ou o tipo que cada persona possa apresentar, a partir do “simples” desenho e traço do rosto e da própria historicidade de quem se apropria/cria essa nova face, a máscara.

Alinhar ao centro
Foto: Deco Morais

Como o público, em sua pluralidade, reage e, principalmente, se identifica com cada um deles?

Com o caminhar da oficina e dos nossos experimentos, em determinado momento essas máscaras já não cabiam mais dentro da sala de ensaio e necessitavam ir para a rua... Necessitavam encontrar seus pares, seja entre moradores de rua, ciganas, telemarketings em horário de almoço, senhores aposentados jogando dominó no Bixiga, ou seja nosso vizinho, que “por acaso”, à caminho do seu trabalho, entre um sorriso e outro, nos encontra em nosso trabalho (e há quem diga que não é) fazendo as pessoas sorrirem.


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