PARECIDO, PORÉM DIFERENTE...
por Rhafael de Oliveira, Cia. do Outro Eu
Muitas vezes foi complicado ou chato deixar alguém de nós três de fora para conduzir os experimentos.
Então, durante o nosso mês e pouquinho de Oficina de Máscara Cênica, pudemos passar por experiências que até já vivenciamos separados anteriormente, porém, não em grupo, como fizemos agora. Um “suprassumo”, um “apanhadão”, um resumo e mistura de experiências individuais, que neste processo puderam ser experimentadas e compartilhadas por este coletivo e, é claro, por nosso parceiro Deco, um Outro Eu também.
Tudo se iniciou (e permaneceu até o “fim” da oficina) com o sentir e o testar a força das pernas, por vezes trêmulas, para entrar em contato com a base- terra, já que esta é que dá toda a segurança, o chão, o piso, a sustentação, o equilíbrio, não só ao artista, mas de todo ser humano. No nosso caso, enquanto artistas criadores de outros personagens, de certo modo humanos e de certo modo “fantasiosos”, essa força precisa de ser ainda maior.
A máscara neutra e sua expressão.
A máscara expressiva, o momento em que de fato juntamos todos os cacos e frutos de nosso treinamento e colocamos tudo nas nossas máscaras.
Experimentar cada máscara e brincar com a fisicalidade que cada expressão sugere. Brincar com o arquétipo, o esteriótipo ou o tipo que cada persona possa apresentar, a partir do “simples” desenho e traço do rosto e da própria historicidade de quem se apropria/cria essa nova face, a máscara.
Como o público, em sua pluralidade, reage e, principalmente, se identifica com cada um deles?
Com o caminhar da oficina e dos nossos experimentos, em determinado momento essas máscaras já não cabiam mais dentro da sala de ensaio e necessitavam ir para a rua... Necessitavam encontrar seus pares, seja entre moradores de rua, ciganas, telemarketings em horário de almoço, senhores aposentados jogando dominó no Bixiga, ou seja nosso vizinho, que “por acaso”, à caminho do seu trabalho, entre um sorriso e outro, nos encontra em nosso trabalho (e há quem diga que não é) fazendo as pessoas sorrirem.



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