Quando iniciamos a oficina, através do jogo cênico que fora proposto nesse processo, pelo nosso amigo e orientador “Deco Morais”, relembramos de brincar.
Passamos por etapas da máscara, desde a solidão e descoberta proposta pala máscara neutra, até a relação e explosão da máscara expressiva de meio rosto.
Começamos reconhecendo o nosso próprio corpo, sentindo o que não lembramos de sentir no dia-a-dia e que, hoje, nos leva a correr contra o tempo em busca da sobrevivência.
Através da máscara neutra, nos sensibilizamos com o nosso corpo e observamos a nós mesmos com o intuito de criar repertório para uma personagem que iria nascer.
O primeiro contato com as máscaras, trazidas pelo Deco, foi muito maluco! Jogamos adereços pelo chão e olhamos as cinco máscaras que ele propôs para nós três. Confesso que não queria ter pego a máscara que peguei, mas quando eu a escolhi ela já estava na mão de outra pessoa, então peguei sem expectativa nenhuma a minha máscara. Daí em diante, eu não queria mais ficar sozinho e a relação começou a nascer por meio das máscaras.
No encontro seguinte, fomos ao centro da cidade e a proposta era repararmos as pessoas transitando, refletir sobre o material riquíssimo que é ver/ter as pessoas ao redor. Quando nos relacionamos com as mesmas, rompemos o cotidiano. Fazemos com que, mesmo atrasadas para o serviço, vivam a quebra da rotina que foi criada, pelo ator que as observou.
Foi assim que começamos a nos relacionar com as pessoas na rua e entramos em estabelecimentos privados, para simplesmente viver um pouco a máscara que criamos.
Vejo que, desde antiguidade as máscaras vem de encontro ao público para satirizar os costumes de uma sociedade decadente e preconceituosa. Hoje em dia não é diferente.
No processo criativo do espetáculo “A Mosca...”, nós só transformamos em cena o que vivemos e beber de uma fonte tão rica como essa me faz pensar no que virá.
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